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quarta-feira, 30 de junho de 2010

As individualidades no país das vuvuzelas

O prometido é devido, e aqui vos deixo com o meu parecer acerca do desempenho de cada um  dos "navegadores" ao longo destes "curtos" 4 encontros no Campeonato do Mundo 2010. Além disso, arriscarei uma escala de 0-10 de acordo com a performance ao longo do Mundial.

Eduardo (4 jogos)
Com apenas um golo sofrido, sem hipótese de o evitar, e com mais de uma dezena de grandes defesas ao longo da prova, revelou-se um dos melhores guarda-redes até ao momento, e um dos melhores da selecção portuguesa. Não só pelos golos que evitou, como no empenho demonstrado, e na humildade na hora da despedida (sim, porque os homens também choram). Nota 10

Bruno Alves (4 jogos)
Seguro, tranquilo, intransponível no jogo aéreo, prático com a bola na relva. Algumas vezes tentou sair a jogar, tentado dar algum fulgor ao jogo lusitano, mas sem resultados práticos. Nota 7

Ricardo Carvalho (4 jogos)
 Igualmente seguro, consistente e uma barreira difícil de ultrapassar. Com um cabeceamento à barra na partida com a Coreia do Norte. Não foi (também) por ele que Portugal regressou mais cedo a casa. Nota 7

Fábio Coentrão (4 jogos)
 Um defesa esquerdo que Portugal à muito não tinha. Um "herói" improvável... Chegou à África do Sul com 1 internacionalização, e poucos acreditavam que podia jogar. Queirós apostou nele, e colheu os frutos... Eficaz a defender, esclarecido a atacar, espírito vivo, motivado... Uma das revelações deste Mundial! Faltou-lhe o golo, mas não lhe era exigido. Nota 9

Pedro Mendes (4 jogos)
 Com Pepe a recuperar de uma lesão prolongada, Pedro Mendes assumiu o lugar mais recuado do meio-campo português. E fê-lo com qualidade. Importante a recuperar bolas, simples no passe, embora em determinados momentos/jogos se esperasse maior envolvimento ofensivo, fazendo uso do seu pontapé forte (mas a sua missão era outra, e provavelmente tinha instruções para ser mais posicional). Nota 6

Raul Meireles (4 jogos)
Mais um dos inconformados. Lutador, recuperador de bolas, ofensivamente interventivo...Abriu caminho à goleada, marcando o 1º e assistindo para o 2º golo. Talvez a falta de frescura física o tenha limitado no último jogo, ou simplesmente o meio campo espanhol é mais forte e ganhou o duelo. Nota 8


Tiago (4 jogos)
À partida "vinha" como suplente de Deco, mas a lesão deste abriu-lhe a porta da titularidade. Aproveitou-a da melhor forma, coroando uma exibição de gala frente aos coreanos com 2 golos e uma assistência, "obrigando" Ronaldo a entregar-lhe o prémio de melhor em campo (fez-se justiça). Menos preponderante nos jogos com Brasil e Espanha, mas não deslustrou um Mundial bem conseguido. Nota 8

Cristiano Ronaldo (4 jogos)
Potencial tremendo, capaz de decidir um jogo num lance de génio. Mas não foi isso que aconteceu... Algo infeliz nos primeiros jogos, com 2 bolas a esbarrar nos ferros, mas pouco mais que isso. Individualizou a maioria das jogadas que dispôs, foi o rei das perdas de bola (conferir rankings da FIFA), rematou muito mas mal...Em 2 ou 3 ocasiões causou embaraço aos guarda-redes, mas é pouco, muito pouco para o ex-melhor do mundo!
Se como jogador foi fraquinho, como capitão foi inútil... Na hora de assumir, não o fez e deu azo à polémica. Curiosamente o único que não cantou o hino contra nuestros hermanos, no final cuspiu em direcção a uma câmara de televisão... Até na hora de perder é preciso ser campeão!! Por tudo isto, e algo mais que fica por dizer....Nota 2

Simão (4 jogos)
Depois de uma época de altos e baixos em Madrid, Simão apresentava-se como titular (também graças ao impedimento de Nani). Inicialmente, Queirós optou por Danny, mas acabou por utilizar Simão em todos os encontros. Grande jogo contra a Coreia, brindada com um golo antevia um acréscimo de motivação para as batalhas seguintes. Mas foi esmorecendo, não só devido à qualidade do adversário, mas também a perda de confiança foi evidente. Contra o Brasil, o jogo estava num ritmo muito lento, e pouco propícia aos seus rasgos pelos flancos. Contra a Espanha não apareceu no jogo, teve pouca bola, muito preocupado em apoiar Ricardo Costa nas tarefas defensivas... Ficou intimamente ligado ao golo espanhol. Nota 6


Liedson (3 jogos)
Naturalizou-se para ser o avançado que faltava à selecção, e acabou por ter poucos minutos no Mundial. Titular no jogo inaugural, contra os possantes jogadores (defesas) marfinenses, entendia-se que aquele não era jogo para ele. Perdeu a titularidade para Hugo Almeida no jogo seguinte, mas mesmo assim bastaram 13min contra a Coreia para fazer o gosto ao pé. Não utilizado contra o Brasil, e apenas 18min contra a Espanha, e quando já pouco havia a fazer (haver havia, mas não foi feito)... Nota 5

Danny (3 jogos)
A prematura lesão de Nani, deixava-o a sonhar com a titularidade. Concedida por Queirós na abertura, não convenceu e saiu cedo da partida. De fora contra a Coreia, regressou com o Brasil onde não mostrou mais que um par de lances interessantes ao longo dos 90min. Com a Espanha jogou os últimos 30min, e ainda estava "frio" que Portugal sofreu o golo... A partir daí esperava-se a sua frescura para trazer sangue novo ao jogo, mas não conseguiu... Nota 4

Duda (2 jogos)
Escassos 16min frente à Coreia, onde foi apenas mais um que ajudou à goleada...e mais 55 com o Brasil, onde não se evidenciou a jogar numa das alas...Pouco muitos, e mal aproveitados... Nota 3

Ricardo Costa (2 jogos)
Chamado a jogar numa posição que não é a dele, fez o melhor que sabia... pelos vistos não sabia muito, mas foi esforçado e levou sempre com uma oposição de classe mundial (Nilmar e, sobretudo, Villa). Manchada a prestação com a expulsão (ainda pouco clara, diga-se)... Nota 4 (premiando a adaptação que teve de efectuar)

Miguel Veloso (2 jogos)
20min contra a Coreia, mais 6 com o Brasil... Pouquíssimo para atribuir uma pontuação 


Pepe (2 jogos)
Poupado (ou incapacitado) nos dois primeiros jogos, "estreou-se" contra o Brasil, seu país de origem, com 65min tranquilos, sem grandes contratempos. Algumas recuperações de bola, também algumas perdas de bola... Algo impetuoso nas bolas divididas. Titular contra a Espanha sentiu claras dificuldades em estancar o meio-campo espanhol. Parece-me que ainda acusa falta de ritmo e capacidade de aguentar jogos desta intensidade. Nota 4

Hugo Almeida (2 jogos)
Uma boa exibição frente aos coreanos, ilustrada com um golo, e mais alguns bons apontamentos. A mudança estratégica contra o Brasil devolveu-o ao banco de suplentes, mas regressou frente à Espanha...e correu, correu bastante. Presença forte na área espanhola, capacidade física, mas foi num lance com os pés que causou maior perigo...e que perigo! Foi substituído e a equipa ressentiu-se, não voltando a equilibrar-se! Nota 6, com a sensação que devia ter sido mais utilizado.


Paulo Ferreira (1 jogo)
90min frente aos costa-marfinenses. Demasiado preocupado em defender, raramente aparecendo à frente do meio-campo para apoiar o ataque. A defender não comprometeu, mas não mostrou muita solidez...do seu lado surgiram os maiores lances de perigo do ataque africano. Nota 3

Miguel (1 jogo)
Apenas participou frente aos asiáticos, e raramente foi incomodado. Exigia-se, por isso, que surgisse na frente para criar mais desequilíbrios no ataque. Cumpriu, apenas. Nota 4

Ruben Amorim (1 jogo)
Interrompeu as férias, para substituir o lesionado Nani, mas foi infeliz. Depois de 5min frente à Costa do Marfim lesionou-se e não mais voltou à competição. Impossível atribuir-lhe uma nota


Deco (1 jogo)
Numa época em que não fez muitos jogos ao serviço do Chelsea, era uma incógnita a sua prestação. Titular no jogo inaugural, em que jogou pouco mais de uma hora, apresentou dificuldades para causar desequilíbrios, como bem lhe conhecemos. Executou alguns bons passes, mas Portugal precisava de mais... Lesionado e envolto em controvérsia, não voltou a jogar. Nota 3


OrangeOne

Mundial 2010: balanço

Gorada que está a hipotese de conquistar o que quer que seja neste Campeonato do Mundo, importa refletir sobre o que foi feito, o que nao foi e devia ter sido!

Vou optar por uma análise, sumária mas incisiva,  aos jogos (4 no total) realizados pela equipa das "quinas",  e rematando com uma análise individual aos jogadores e seleccionador.

Portugal 0 - 0 Costa do Marfim (15 de Junho)
A jornada inaugural da prova, com muitas cautelas de ambas as partes, na medida em que iniciar com uma derrota é quase sempre sinónimo de eliminação (a Espanha contraria-me de imediato). Uma exibição pobre da nossa selecção, pautada com rasgos individuais de alguns elementos, mas sem um fio condutor, um colectivo que nunca existiu. Os marfinenses controlaram quase sempre a partida, causando embaraço à defesa lusa, sobretudo nos últimos minutos. Foi um empate sem sabor, mas que deixava tudo em aberto no apuramento para a fase seguinte!

Portugal 7 - 0 Coreia do Norte
Dada a menor qualidade do adversário e a obrigatoriedade de vencer para manter vivas as esperanças do apuramento, Portugal realizou uma excelente exibição, essencialmente na segunda metade, coroando-a com 7 golos. Facto que permitiu praticamente a qualificação naquele próprio dia. A praticar um futebol de qualidade, com sentido colectivo, com bastante troca de bola e entrosamento entre os sectores...beneficiando igualmente da evidente fragilidade defensiva dos norte-coreanos! Uma segunda parte de gala, com golos repartidos por vários jogadores, inclusivé Cristiano Ronaldo que fez por merecer e a sorte acabou por lhe sorrir.
Desempenho promissor, que antevia uma campanha "gloriosa", sabendo de antemão que era apenas um jogo, contra um adversário de 3ª linha do futebol mundial

Portugal 0 - 0 Brasil
Fruto da combinação dos resultados do grupo, só uma hecatombe impediria o apuramento de ambas as equipas para a fase seguinte, discutindo-se "apenas" o 1º ou 2º lugar, na tentativa de evitar a Espanha. Encontramos um Brasil descontraído, sem algumas das suas principais estrelas, ainda assim mais dominador e controlando o ritmo de jogo, embora sem causar grande perigo. Portugal parecia confortável com esse estilo de jogo, e raras vezes importunou a baliza canarinha. Parece-me que um pouco mais de audácia e atrevimento eram legítimos, visto que na outra partida o score estava longe de perigar o nosso apuramento..e o empate levava-nos a, possivelmente, enfrentar a Espanha (o que se confirmou).
Foi mais um nulo sem sabor, jogo de fraca qualidade, ritmo lento e que carimbou o passaporte de ambas as formações, cumprindo o objectivo "mínimo" a que Portugal se propunha.

Portugal 0 - 1 Espanha
O calendário ditou um duelo ibérico nos oitavos-de-final da prova. Os campeões da Europa,e por isso favoritos, contra uma selecção com legitimas ambições de ir mais longe, com qualidade e potencial para isso. Mas cedo se percebeu que o meio campo espanhol ia ditar as regras do jogo. Xavi e Iniesta jogam quase de olhos fechados... Busquets e Xabi Alonso mais utilitários que deslumbrantes, mas comandavam as rédeas do jogo. A defesa quase sempre segura e Casillas que com maior ou menos dificuldade manteve as redes invioláveis. No ataque havia Fernando Torres, em clara baixa de forma, mas esforçado e interventivo. E depois, um tal de David Villa, capaz de criar o pânico em qualquer defesa.
Portugal apresentou-se com Ricardo Costa, como responsável maior por controlar as acções de Villa, Pepe como homem mais recuado do meio campo, Ronaldo e Simão nas alas, com Hugo Almeida no centro do ataque. Jogo disputado, com lances de perigo em ambas as balizas, mas facilmente se percebia que o jogo espanhol era mais conjunto,compacto, com troca de bola, enquanto  Portugal criava perigo num futebol aos "repelões", ora com corridas loucas de Ronaldo e Coentrão, ora com livres directos.
Minuto 63: Jogada de combinação do ataque espanhol, com Xavi a assistir Villa que, à segunda, inaugura o marcador. Discutível a legalidade do lance, que segundo se apurou foi irregular por 22cm. Parece-me que em movimento rápido e a 30m do lance, o árbitro auxiliar nao consegue vislumbrar esses 22cm. Em caso de dúvida, privilegiou o espectáculo do futebol (que são os golos).
A vencer, os espanhóis dominaram a bel-prazer o jogo, perante alguma passividade portuguesa, e clara falta de argumentos para contrariar uma situação de desvantagem. Por muito que a estratégia tenha sido delineada antes do jogo, pareceu não existir um plano B. E quando assim é... o mundial fica mais curto.

Próximo post: Análise Individual aos jogadores


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