Vou optar por uma análise, sumária mas incisiva, aos jogos (4 no total) realizados pela equipa das "quinas", e rematando com uma análise individual aos jogadores e seleccionador.
Portugal 0 - 0 Costa do Marfim (15 de Junho)
A jornada inaugural da prova, com muitas cautelas de ambas as partes, na medida em que iniciar com uma derrota é quase sempre sinónimo de eliminação (a Espanha contraria-me de imediato). Uma exibição pobre da nossa selecção, pautada com rasgos individuais de alguns elementos, mas sem um fio condutor, um colectivo que nunca existiu. Os marfinenses controlaram quase sempre a partida, causando embaraço à defesa lusa, sobretudo nos últimos minutos. Foi um empate sem sabor, mas que deixava tudo em aberto no apuramento para a fase seguinte!Portugal 7 - 0 Coreia do Norte
Dada a menor qualidade do adversário e a obrigatoriedade de vencer para manter vivas as esperanças do apuramento, Portugal realizou uma excelente exibição, essencialmente na segunda metade, coroando-a com 7 golos. Facto que permitiu praticamente a qualificação naquele próprio dia. A praticar um futebol de qualidade, com sentido colectivo, com bastante troca de bola e entrosamento entre os sectores...beneficiando igualmente da evidente fragilidade defensiva dos norte-coreanos! Uma segunda parte de gala, com golos repartidos por vários jogadores, inclusivé Cristiano Ronaldo que fez por merecer e a sorte acabou por lhe sorrir.
Desempenho promissor, que antevia uma campanha "gloriosa", sabendo de antemão que era apenas um jogo, contra um adversário de 3ª linha do futebol mundial
Portugal 0 - 0 Brasil
Fruto da combinação dos resultados do grupo, só uma hecatombe impediria o apuramento de ambas as equipas para a fase seguinte, discutindo-se "apenas" o 1º ou 2º lugar, na tentativa de evitar a Espanha. Encontramos um Brasil descontraído, sem algumas das suas principais estrelas, ainda assim mais dominador e controlando o ritmo de jogo, embora sem causar grande perigo. Portugal parecia confortável com esse estilo de jogo, e raras vezes importunou a baliza canarinha. Parece-me que um pouco mais de audácia e atrevimento eram legítimos, visto que na outra partida o score estava longe de perigar o nosso apuramento..e o empate levava-nos a, possivelmente, enfrentar a Espanha (o que se confirmou).
Foi mais um nulo sem sabor, jogo de fraca qualidade, ritmo lento e que carimbou o passaporte de ambas as formações, cumprindo o objectivo "mínimo" a que Portugal se propunha.
Portugal 0 - 1 Espanha
O calendário ditou um duelo ibérico nos oitavos-de-final da prova. Os campeões da Europa,e por isso favoritos, contra uma selecção com legitimas ambições de ir mais longe, com qualidade e potencial para isso. Mas cedo se percebeu que o meio campo espanhol ia ditar as regras do jogo. Xavi e Iniesta jogam quase de olhos fechados... Busquets e Xabi Alonso mais utilitários que deslumbrantes, mas comandavam as rédeas do jogo. A defesa quase sempre segura e Casillas que com maior ou menos dificuldade manteve as redes invioláveis. No ataque havia Fernando Torres, em clara baixa de forma, mas esforçado e interventivo. E depois, um tal de David Villa, capaz de criar o pânico em qualquer defesa.
Portugal apresentou-se com Ricardo Costa, como responsável maior por controlar as acções de Villa, Pepe como homem mais recuado do meio campo, Ronaldo e Simão nas alas, com Hugo Almeida no centro do ataque. Jogo disputado, com lances de perigo em ambas as balizas, mas facilmente se percebia que o jogo espanhol era mais conjunto,compacto, com troca de bola, enquanto Portugal criava perigo num futebol aos "repelões", ora com corridas loucas de Ronaldo e Coentrão, ora com livres directos.
Minuto 63: Jogada de combinação do ataque espanhol, com Xavi a assistir Villa que, à segunda, inaugura o marcador. Discutível a legalidade do lance, que segundo se apurou foi irregular por 22cm. Parece-me que em movimento rápido e a 30m do lance, o árbitro auxiliar nao consegue vislumbrar esses 22cm. Em caso de dúvida, privilegiou o espectáculo do futebol (que são os golos).
A vencer, os espanhóis dominaram a bel-prazer o jogo, perante alguma passividade portuguesa, e clara falta de argumentos para contrariar uma situação de desvantagem. Por muito que a estratégia tenha sido delineada antes do jogo, pareceu não existir um plano B. E quando assim é... o mundial fica mais curto.
Próximo post: Análise Individual aos jogadores
OrangeOne
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